sábado, 17 de fevereiro de 2018

2ª Circular ou o nosso Paralelo 38?

Na sequência da II Guerra Mundial a Coreia foi dividida à força e contra a vontade dos coreanos pelos aliados vencedores do conflito.
Num processo que decorreu entre 1945 e 1949, União Soviética e Estados Unidos acordaram dividir a península da Coreia em dois países pelo Paralelo 38.
Com o início da guerra fria os dois países entraram em confronto bélico entre 1950 e 1953. Apesar do armistício nunca chegou a ser assinado um acordo de paz pelo que ambos os países se encontram até hoje tecnicamente em guerra.
A zona desmilitarizada junto do Paralelo 38 é uma espécie de "marcação homem a homem" em que ambos os beligerantes se controlam mutuamente. 
Se a Coreia do Sul vive num sistema teoricamente democrático, com uma sociedade evoluída e rendida à economia de mercado, a Coreia do Norte vive no regime mais fechado do mundo, numa espécie de "Alice no País das Maravilhas" em que a realidade é desconhecida e ditada pela Rainha de Copas III, que é filha da Rainha de Copas II e neta da Rainha de Copas I...


E hoje ficou-se a perceber que por cá também existe uma espécie de Paralelo 38.
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting Clube de Portugal exigiu que a Assembleia Geral do clube aprovasse por 75% três propostas para que continuasse à frente dos destinos do Sporting.
Não se pode questionar uma decisão democrática tomada pelos sócios do clube.
Os clubes são dirigidos pelas escolhas dos associados, nada mais justo e democrático. 


Mas impor aos sportinguistas que semanalmente dão a sua opinião em programas desportivos o abandono dos mesmos já não é muito normal... Ou será que afinal também pelos lados de Alvalade existe uma "cartilha" em que alguém determina o que pode ser dito?
Impor aos sócios e adeptos  que deixem de ler jornais desportivos e não só, que deixem de ver canais de televisão portugueses à exceção do canal do clube será normal?


Será normal a pretexto do desporto e  por existir uma opinião divergente, ameaçar quem se limitava a trabalhar e dar a cobertura jornalística à Assembleia Geral de Sócios?
Não sou adepto do Sporting, mas o que se está a passar é grave, não por ter acontecido no Sporting mas por ter acontecido em Portugal em 2018.
Fanatismo é mau em qualquer setor. 
Será que a ira contra os jornalistas ou  a ira contra quem mesmo sendo adepto do mesmo clube ousa discordar  vai ser a mesma contra uma decisão menos acertada do treinador ou contra um jogador que falhe um golo de forma absurda?
Ou será apenas uma cegueira seletiva numa espécie de hipnose geral à imagem dos sonhos da Alice?

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