domingo, 7 de janeiro de 2018

Policiamento de Bairros Problemáticos

Nestes últimos tempos temos sido inundados com notícias sobre a esquadra da PSP de Alfragide, a propósito de um alegado caso de racismo e tortura ocorrido em 2015.
Cada vez que se fala de racismo na atuação policial, somos obrigados a falar em bairros problemáticos, minorias, exclusão social e desorganização demográfica  .
Cada vez que falamos em bairros problemáticos há sempre nomes que nos surgem de imediato: Cova da Moura, Quinta da Fonte, Quinta do Mocho, Cerco ou Bairro 6 de Maio.
Estes e outros bairros têm em comum a localização na periferia dos grandes centros urbanos e a instalação dos seus habitantes de forma mais ou menos desorganizada .
São bairros que na sua maioria cresceram após o 25 de Abril de 1974, tendo servido para alojar de forma definitivamente provisória aqueles que fugiram à pressa de um processo desorganizado de descolonização.
Estes são bairros que acolhem também aqueles que deixaram as ex colónias africanas à procura de melhores condições de vida em Portugal.
Cada vez que se fala nestes bairros pensamos imediatamente em negócios menos lícitos e na dificuldade que as forças policiais têm em cumprir a sua missão no interior dos mesmos.
Mas serão estes os únicos bairros problemáticos? Não!
Há por exemplo em Lisboa um bairro bem mais problemático, que à semelhança dos anteriormente mencionados também surgiu após o 25 de Abril de 1974, acolhe também minorias que vieram à procura de melhores condições, que automaticamente associamos a negócios menos lícito!
Este bairro acolhe deslocados da Avenida D. Carlos, do Largo do Caldas, de São Caetano à Lapa, do Largo do Rato, da Soeiro Pereira Gomes, da Rua da Palma...entre outros!
À semelhança de outros bairros problemáticos, a entrada das forças policiais é quase impossível, diferindo apenas na sua localização, dado que este se encontra em pleno centro de Lisboa!


Claro que já perceberam que vos falo de São Bento, um bairro peculiar no centro de Lisboa, que funciona também baseado nas minorias...
Um bairro tão sui generis, em que a discriminação funciona de dentro para fora e não ao contrário.
Este é um bairro com regras próprias que escolhe ciclicamente um morador para residir no palácio das traseiras, que passa a designar-se "primeiro".
Nesta escolha o bairro dá sempre um sinal inequívoco da sua tolerância, tendo eleito transmontanos, beirões, algarvios e até mesmo indianos.
Cada vez que encherem o peito para dizer mal da Cova da Moura lembrem-se do Bairro de São Bento... 

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