segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Não entendo tanta crítica!

Nós os portugueses sempre fomos um povo de criticar mais do que de fazer.
Também se não fossemos assim, talvez este blog nunca existisse...
Ao que me parece o alvo desta semana é o juíz desembargador Neto de Moura...


A propósito de um polémico acórdão em que este magistrado "desculpou" um ato de violência doméstica porque a vítima alegadamente cometeu adultério...
Mais indignação causou porque o citado acórdão  não se baseou muito na legislação mas mais numa interpretação muito própria da Bíblia...
Para bater mais no ceguinho, soube-se hoje que em julho de 2012, em Loures, Neto de Moura conduzia um automóvel sem matrícula...e quando foi mandado parar pela GNR não parou...


Desta vez não percebo a celeuma da opinião pública...
Já leram o livro de Zacarias no Antigo Testamento? Talvez não... Mas eu coloco aqui:
"Olhei novamente e vi diante de mim quatro carruagens que vinham saindo do meio de duas montanhas de bronze. 
À primeira estavam atrelados cavalos vermelhos; à segunda, cavalos pretos;
À terceira, cavalos brancos; e à quarta, cavalos malhados. Todos eram vigorosos. 
Perguntei ao anjo que falava comi­go: Que representam estes cavalos atrelados, meu senhor? 
O anjo me respondeu: "Estes são os quatro espíritos dos céus, que acabam de sair da presença do Soberano de toda a terra.
A carruagem puxada pelos cavalos pretos vai em direção à terra do norte, a que tem cavalos brancos vai em direção ao ocidente, e a que tem cavalos malhados vai para a terra do sul". 
Os vigorosos cavalos avançavam, impacientes por percorrer a terra. E o anjo lhes disse: "Percorram toda a terra!" E eles foram.
Então ele me chamou e disse: "Veja, os que foram para a terra do norte deram repouso ao meu Espírito naquela terra".
Alguma das quatro carruagens tem matrícula? Não!
Mas também o evangelho de S. Lucas, no episódio em que Jesus com 12 anos de idade se perdeu dos pais, refere que os pais já caminhavam há um dia e pensavam que o menino se encontrava na caravana... Li até ao fim...e em nenhum ponto fala na matrícula da caravana, e porquê? Porque não tinha! Porque se tivesse, num caso de desaparecimento seria uma informação essencial...
Sabiam que o primeiro automóvel chegou a Portugal a 12 de outubro de 1895, um Panhard & Levassor, adquirido pelo Conde de Avilez...na viagem inaugural atropelou um burro...mas não tinha matrícula!
Mais exemplos poderiam ser aqui dados, mas estes chegam para perceber que circular com veículos sem matrícula é um comportamento que até há bem pouco tempo era aceite e tolerado pela sociedade...
Vai-se crucificar um magistrado por conduzir um automóvel sem matrícula? Não me parece bem...
Agora se o automóvel fosse conduzido pela Elisabete Jacinto, a conversa seria outra...onde raio vai parar este mundo com uma mulher a pilotar um camião que faz publicidade a comprimidos para as dores menstruais...


Sem comentários:

Enviar um comentário